Assinatura eletrônica avançada (AES), simples (SES) e qualificada (QES): os 3 níveis eIDAS
Assinatura eletrônica avançada (AES), simples (SES) ou qualificada (QES): o regulamento eIDAS define três níveis. Comparativo, valor jurídico e escolha recomendada conforme o documento.
Equipe Certyneo
Redator — Certyneo · Sobre Certyneo
A assinatura eletrônica avançada (AES) é o nível mais utilizado em B2B e o único a oferecer uma presunção legal de integridade sem impor um cartão inteligente ao signatário. Ao lado da assinatura simples (SES) e da assinatura qualificada (QES), ela compõe os três níveis definidos pelo regulamento europeu eIDAS. Veja como escolher o nível certo conforme a natureza do seu documento, seu valor probatório esperado e a fricção aceitável para o signatário.
O que é assinatura eletrônica avançada (AES)?
A assinatura eletrônica avançada é o nível intermediário definido pelo artigo 26 do regulamento eIDAS. Deve cumprir quatro condições cumulativas: (1) ser vinculada de forma única ao signatário, (2) permitir identificá-lo, (3) ser criada a partir de dados sob seu controle exclusivo, (4) permitir detectar qualquer modificação posterior do documento assinado. Na prática, essas condições são atendidas por autenticação forte (email + OTP SMS), trilha de auditoria com data/hora e hash criptográfico do PDF.
A AES se beneficia de uma presunção legal de integridade e origem que inverte o ônus da prova perante o juiz: cabe àquele que contestar a assinatura provar sua falsidade, não ao signatário provar sua validade. É isso que distingue fundamentalmente a AES da SES, onde a confiabilidade é apreciada caso a caso pelo juiz.
Os três níveis definidos por eIDAS
O regulamento europeu eIDAS (nº 910/2014) organiza a assinatura eletrônica em três níveis, correspondendo a graus crescentes de exigência em matéria de identificação do signatário e solidez da prova. Compreender bem esses níveis permite escolher a assinatura adequada a cada documento, sem superdimensionar o processo.
Nível 1: assinatura eletrônica simples (SES)
A assinatura eletrônica simples é o nível básico. Corresponde a qualquer manifestação de consentimento eletrônico: um clique em "Aceito", uma caixa marcada, um parafem desenhado em tela sensível ao toque.
- Exigências: consentimento claro, identificação mínima (email)
- Prova: fraca a média, varia conforme o provedor
- Casos de uso: orçamentos, pedidos de compra, acordos internos, termos gerais
- Fricção signatário: quase nula — o signatário não precisa criar uma conta
A SES é suficiente para a grande maioria dos intercâmbios comerciais correntes onde o risco de contestação é baixo. Permanece válida juridicamente, com o juiz apreciando caso a caso a confiabilidade do procedimento.
Nível 2: assinatura eletrônica avançada (AES)
A assinatura avançada reforça a identificação do signatário e estabelece um vínculo único entre ele e o documento. Repousa sobre quatro critérios estabelecidos pelo artigo 26 d'eIDAS:
- está vinculada ao signatário de forma unívoca
- permite identificar o signatário
- é criada com meios que o signatário conserva sob seu controle exclusivo
- está vinculada ao documento de forma a detectar qualquer modificação posterior
Na prática, a AES passa por uma autenticação dupla fator: link único enviado por email + código OTP recebido por SMS. O PDF final integra uma data/hora e uma trilha de auditoria detalhada.
- Casos de uso: contrato de trabalho, aluguel, procuração, contrato comercial relevante, NDA
- Fricção signatário: fraca — um código SMS a digitar além do email
- Prova: forte, presunção refutável de validade
Nível 3: assinatura eletrônica qualificada (QES)
A assinatura qualificada é o nível mais elevado. Repousa sobre um certificado qualificado emitido por um provedor de serviços de confiança qualificado (QTSP) figurando na lista de confiança de um Estado-membro da UE, e sobre um dispositivo de criação de assinatura seguro (ex. YubiKey, cartão inteligente).
- Valor legal: equivalente a uma assinatura manuscrita em toda a UE
- Casos de uso: atos autênticos, licitações públicas, certos atos notariais
- Fricção signatário: elevada — verificação de identidade presencialmente ou por vídeo KYC
- Custo: significativamente mais elevado que SES/AES
Para a maioria das empresas, a QES raramente é necessária no dia a dia. Torna-se incontornável quando a lei a impõe (procedimentos judiciais, certos processos de licitação) ou quando o contrato tem valor excepcional.
Tabela comparativa rápida
Critério | Simples | Avançada | Qualificada
Identificação | Email | Email + OTP SMS | Certificado qualificado + verificação de identidade
Valor legal | Prova a apreciar | Presunção de validade | Equivalente a assinatura manuscrita UE
Fricção | Quase nula | Fraca | Elevada
Caso de uso típico | Orçamentos, pedidos de compra | Contrato de trabalho, aluguel | Atos notariais, licitações públicas
Custo | Baixo | Moderado | Elevado
Como escolher o nível certo
A regra simples: alinhe o nível com a importância do documento.
- Se o documento for contestado, o que está em jogo? Algumas centenas de reais ou um contrato de várias dezenas de milhares?
- O relacionamento com o signatário é conhecido (cliente histórico) ou desconhecido (primeiro contato)?
- O documento se enquadra em um marco legal que impõe um nível preciso (ex. contrato de trabalho, aluguel)?
Em geral: SES para acordos simples, AES para tudo que envolve RH, imóvel, finanças, QES apenas quando a lei a impõe.
Erros frequentes
- Sempre pegar QES "para se tranquilizar": fricção desnecessária para o signatário, custo elevado, frequentemente superdimensionado.
- Contentar-se com SES para tudo: em caso de litígio sobre um contrato de trabalho, a ausência de autenticação forte pode enfraquecer a prova.
- Confundir validação e assinatura: um recibo de recebimento não é uma assinatura.
Como Certyneo o ajuda
Certyneo suporta nativamente os níveis simples (SES) e avançado (AES), com OTP duplo email + SMS via Twilio Verify para AES. Para casos que exigem QES, Certyneo faz interface com vários provedores qualificados europeus (Docaposte Certigna, Universign, CertEurope) para disparar a assinatura qualificada sem mudar de ferramenta.
Você pode definir o nível de assinatura documento por documento conforme a importância — ou por modelo se industrializou um processo.
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FAQ
Posso misturar níveis no mesmo envelope?
Sim. Um envelope multi-documentos pode incluir um orçamento assinado em SES e um contrato assinado em AES, por exemplo. Cada signatário vê a autenticação adequada ao documento que deve assinar.
A assinatura avançada é reconhecida internacionalmente?
Na UE sim, de acordo com o princípio de reconhecimento mútuo d'eIDAS. Fora da UE, o reconhecimento depende do marco jurídico local — a verificar conforme a jurisdição envolvida.
Preciso de um certificado pessoal para assinar em AES?
Não. A AES pode ser obtida sem certificado pessoal prévio graças ao OTP duplo. É isso que torna a AES muito acessível, onde a QES exige um certificado qualificado.
A assinatura qualificada é obrigatória para um contrato de trabalho?
Não. O contrato de trabalho aceita assinatura avançada (AES), que já oferece uma presunção forte de validade. Para mais detalhes, veja assinatura eletrônica do contrato de trabalho.
Como verificar o nível de um documento assinado?
Abra o PDF no Adobe Acrobat Reader: as propriedades da assinatura exibem o nível, o signatário e a data/hora. Você também pode usar um verificador online.
Conclusão
Escolher o nível certo de assinatura eletrônica é encontrar o equilíbrio entre valor probatório e fricção para o signatário. Comece simples, suba um nível quando a importância jurídica exigir.
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