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Visita técnica imobiliária: normas DPE 2026

Redação Certyneo7 min de lectura

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Redação Certyneo

Redator — Certyneo · Sobre Certyneo

Digitalisation des processus administratifs — équipe en réunion de travail

O diagnóstico de desempenho energético mudou de natureza. Durante muito tempo uma simples informação entregue ao comprador ou ao inquilino, tornou-se uma norma oponível cujo resultado condiciona o direito de arrendar um imóvel. Uma classificação insuficiente não se corrige com um desconto no preço: ela impede a colocação em arrendamento. Essa mudança explica por que o tema deixou de ser um dossiê técnico para se tornar uma questão de arbitragem patrimonial.

O que o diagnóstico mede

O diagnóstico avalia o consumo de energia primária do imóvel e as suas emissões de gases com efeito de estufa, expressas em quilowatt-hora por metro quadrado e por ano e em quilogramas de dióxido de carbono por metro quadrado e por ano.

A classificação final considera o mais desfavorável dos dois indicadores. Um imóvel eficiente em termos de consumo, mas aquecido por uma energia fortemente emissora, será classificado com base nesse segundo critério. Essa regra, chamada de duplo limiar, surpreende frequentemente os proprietários que realizaram obras de isolamento sem alterar o seu sistema de aquecimento.

Daí resultam sete classes, de A a G. As duas últimas correspondem aos imóveis chamados de grandes consumidores de energia, alvo prioritário das restrições sucessivas.

O método de cálculo e os seus limites

O cálculo baseia-se nas características físicas do edifício — isolamento, caixilharia, sistema de aquecimento, produção de água quente, ventilação — e não nos consumos efetivamente faturados. Trata-se de uma mudança fundamental em relação ao método antigo, que podia basear-se nas faturas.

Daí resultam duas consequências práticas. O comportamento dos ocupantes não influencia o resultado, o que torna os diagnósticos comparáveis entre si. E um imóvel desocupado pode ser diagnosticado, o que nem sempre era o caso anteriormente.

A contrapartida é a sensibilidade do resultado à qualidade do levantamento. Uma dúvida sobre o isolamento de uma parede, a falta de comprovativo sobre uma caixilharia, uma superfície mal medida podem fazer a classificação descer um nível. Na ausência de prova, o diagnosticador utiliza valores por defeito, sistematicamente desfavoráveis. Fornecer as faturas de obras, os comprovativos de isolamento e as características dos equipamentos não é, portanto, uma cortesia: é o que evita uma classificação penalizadora.

O método foi, além disso, ajustado para as pequenas superfícies, cujo cálculo desfavorecia mecanicamente a classificação devido ao peso da água quente sanitária em relação à superfície. Um diagnóstico antigo relativo a um estúdio merece ser refeito segundo o método corrigido: a classificação pode melhorar sem qualquer obra.

A oponibilidade e os seus efeitos

O diagnóstico é oponível. Um comprador ou um inquilino que constate um desvio significativo entre a classificação anunciada e a realidade pode acionar a responsabilidade do diagnosticador e, dependendo dos casos, a do vendedor ou do senhorio.

Essa oponibilidade aplica-se aos dados de desempenho, ao passo que as recomendações de obras conservam um valor meramente indicativo. A distinção é útil: é a classificação que vincula, não a estimativa de custo das melhorias sugeridas.

O seu prazo de validade é de dez anos, sob reserva das disposições que tenham reduzido a validade dos diagnósticos elaborados segundo os métodos anteriores. Um diagnóstico deve ser refeito após obras que alterem substancialmente o desempenho — em ambos os sentidos, uma vez que uma renovação não atualizada priva o imóvel do benefício da sua melhoria.

A proibição progressiva de arrendar

É o efeito mais pesado, e funciona em fases.

A decência energética tornou-se uma condição para a colocação em arrendamento. Os imóveis mais consumidores de energia são os primeiros a ser excluídos, seguidos das classes seguintes, de acordo com um calendário fixado por lei. Como esse calendário foi alterado várias vezes, o único método fiável consiste em verificar a regra aplicável ao ano em questão, em vez de confiar num prazo memorizado.

Um imóvel não decente em termos energéticos não pode ser proposto para arrendamento, e um inquilino já instalado pode exigir ao senhorio a realização das obras necessárias, se for o caso sob coação judicial.

Para um senhorio, a decisão coloca-se, portanto, previamente: iniciar as obras, vender antes da fase em questão, ou alterar o uso do imóvel. Essas decisões pressupõem ter integrado o prazo na gestão do imóvel, como descreve o nosso guia de gestão de arrendamento.

A auditoria energética, distinta do diagnóstico

Uma auditoria energética acrescenta-se ao diagnóstico para a venda de determinados imóveis entre os mais consumidores de energia. Ela não o substitui: propõe percursos de obras com orçamento associado, permitindo atingir classes superiores, com uma estimativa das poupanças esperadas.

O seu âmbito amplia-se por etapas, visando classes sucessivas. Tal como para o calendário de arrendamento, deve ser verificado para o ano em curso, e articula-se com o restante dossiê de diagnóstico técnico entregue ao comprador.

Cenários de utilização

Compra de um imóvel a renovar. Solicitar o diagnóstico e, se existir, a auditoria antes da proposta. A classificação condiciona a possibilidade de arrendar, portanto a rentabilidade do projeto, com as implicações fiscais detalhadas no nosso artigo sobre a fiscalidade imobiliária.

Imóvel classificado no limite de uma classe. Fazer verificar o levantamento antes de qualquer decisão. Um comprovativo de isolamento em falta pode ser suficiente para alterar o resultado, sem que seja necessária qualquer obra.

Estúdio diagnosticado segundo o método antigo. Considerar um novo diagnóstico: a correção introduzida no cálculo das pequenas superfícies melhora frequentemente a classificação, mesmo com características inalteradas.

Perguntas frequentes

Em que se baseia a classificação? Nas características físicas do imóvel, e não nos consumos faturados. A classificação considera o mais desfavorável dos dois indicadores, consumo de energia primária e emissões de gases com efeito de estufa.

Quanto tempo o diagnóstico é válido? Dez anos, sob reserva das disposições que tenham reduzido a validade dos elaborados segundo os métodos anteriores. Deve ser refeito após obras que alterem substancialmente o desempenho.

O diagnóstico é oponível? Sim, quanto aos dados de desempenho: um desvio significativo aciona a responsabilidade do diagnosticador, e dependendo dos casos, a do vendedor ou do senhorio. As recomendações de obras permanecem indicativas.

Uma classificação má impede de arrendar? Sim, por fases sucessivas que abrangem classes cada vez mais amplas. Como o calendário evoluiu várias vezes, é preciso verificar a regra aplicável ao ano em questão.

É possível contestar um diagnóstico? Sim, mandando realizar uma contraperícia. Os desvios resultam, na maioria das vezes, de valores por defeito adotados por falta de comprovativos, que a apresentação das faturas de obras permite afastar.

Qual a diferença em relação à auditoria energética? O diagnóstico classifica o imóvel; a auditoria propõe percursos de obras com orçamento associado. A auditoria acrescenta-se ao diagnóstico para a venda de determinados imóveis consumidores de energia, sem o substituir.

A reter

Três pontos determinam a utilização que se pode fazer de um imóvel. A classificação considera o mais desfavorável dos dois indicadores, o que torna o isolamento sozinho insuficiente quando o sistema de aquecimento é emissor. O resultado depende fortemente dos comprovativos fornecidos, na falta dos quais se aplicam valores por defeito desfavoráveis. E o prazo da proibição de arrendar deve ser verificado para o ano em curso, e não de memória.

Para um proprietário, a consequência prática é simples: o diagnóstico já não é um documento a apresentar no momento da assinatura, é um dado de gestão a acompanhar como um prazo contratual.

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