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Sigilo médico e compartilhamento de informações: guia prático

Sigilo médico no Brasil: obrigações legais, exceções ao compartilhamento de informações, consequências penais e boas práticas para profissionais de saúde.

Equipe Certyneo3 min de leitura

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Redator — Certyneo · Sobre Certyneo

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Introdução

O sigilo médico constitui um dos pilares fundamentais da relação de confiança entre um paciente e os profissionais de saúde. Porém, em um contexto de cuidados coordenados e equipes multidisciplinares, a questão do compartilhamento de informações confidenciais se coloca diariamente. Como conciliar a obrigação absoluta de confidencialidade com a necessidade de trocar dados para assegurar um atendimento otimizado? Este guia prático precisa o marco jurídico do sigilo médico e as condições nas quais um compartilhamento de informações é legalmente autorizado, apoiando-se nas disposições do Código de Saúde Pública e nas recomendações da CNIL.

O fundamento jurídico do sigilo médico

O sigilo médico é instituído pelo artigo L.1110-4 do Código de Saúde Pública e pelo artigo 226-13 do Código Penal, que sanciona sua violação com um ano de prisão e 15.000 euros de multa. Este sigilo cobre o conjunto de informações que chegaram ao conhecimento do profissional: diagnóstico, tratamento, confidências do paciente, mas também elementos observados ou deduzidos.

Ele se impõe a todos os profissionais que atuam no sistema de saúde: médicos, enfermeiros, farmacêuticos, parteiras, bem como ao pessoal administrativo dos estabelecimentos de saúde. A lei de 26 de janeiro de 2016 de modernização do nosso sistema de saúde ampliou essa obrigação aos profissionais do setor médico-social, criando um marco unificado de proteção da informação confidencial.

As condições do compartilhamento de informações entre profissionais

O compartilhamento de informações entre profissionais de saúde é regulado pelo artigo L.1110-4 do CSP. Duas situações distintas devem ser diferenciadas:

No seio de uma mesma equipe de cuidados: o compartilhamento é presumido autorizado, sob a condição de que o paciente tenha sido informado e possa exercer seu direito de oposição. A equipe de cuidados é definida como um conjunto de profissionais participando diretamente do atendimento de um mesmo paciente.

Entre profissionais que não pertencem à mesma equipe: o consentimento expresso e prévio do paciente é exigido, coletado por qualquer meio, inclusive desmaterializado. Este consentimento deve ser informado, específico e revogável a qualquer momento.

O compartilhamento deve em todos os casos ser limitado às informações estritamente necessárias à coordenação ou à continuidade dos cuidados, em conformidade com o princípio de minimização estabelecido pelo RGPD (artigo 5).

As derrogações legais ao sigilo

Certas situações autorizam, ou até impõem, a suspensão do sigilo médico. A denúncia de sevícias contra menores ou pessoas vulneráveis (artigo 226-14 do Código Penal), a declaração obrigatória de doenças de declaração obrigatória (artigo L.3113-1 CSP), ou ainda a transmissão de informações ao médico-conselheiro do Seguro de Saúde constituem derrogações previstas por lei.

Por outro lado, a família do paciente não tem um direito geral de acesso às informações médicas. Apenas a pessoa de confiança designada pelo paciente (artigo L.1111-6 CSP) pode receber certas informações, conforme a vontade expressa.

Ferramentas e boas práticas

A implementação do Dossiê Médico Compartilhado (DMP) e da Mensageria Segura de Saúde (MSSanté) permite securizar tecnicamente as trocas. Os estabelecimentos também devem adotar uma política de segurança dos sistemas de informação de saúde (PSSI-S) e designar um Delegado de Proteção de Dados (DPO), em conformidade com o RGPD.

Conclusão

O sigilo médico não é um obstáculo à qualidade dos cuidados, mas uma condição da confiança do paciente. Dominar as regras do compartilhamento de informações confidenciais permite aos profissionais de saúde colaborarem efetivamente respeitando suas obrigações deontológicas e legais. Uma formação regular das equipes e uma informação clara dos pacientes são indispensáveis para securizar essas práticas.

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